Entre a Fuga e a Fonte

Entre a Fuga e a Fonte

Há dias em que a alma se veste de força,





mas por dentro só quer desabar.

Sorrisos viram escudos.
Silêncios viram muralhas.
E o coração aprende a correr —
não para chegar,
mas para não sentir.

O vazio se disfarça de metas.
A dor se esconde atrás da produtividade.
E o barulho do mundo abafa a única voz que ainda sussurra por dentro.

A gente coleciona conquistas,
mas não se reconhece no espelho.
Chora por dentro…
porque parece errado admitir que dói.

Há quem tente merecer amor.
Há quem fuja até de si.
E, quando a pressa cansa,
o silêncio pesa.

O tempo passa,
mas o peito continua cheio de pedras.
E os sonhos — agora em pedaços —
parecem ter afundado em algum lugar do peito.

Nessa hora, surge um suspiro:
fraco, mas teimoso.
Sede — não da boca,
mas da alma.

“Só um gole”, pensa o coração.
“Um lugar para respirar. Um olhar que me veja.”

Talvez você esteja aí:
no entre lugar entre a fuga e a Fonte.
Não buscando respostas…
mas presença.
Mãos que compreendam a dor sem exigir explicações.
Graça que te alcance antes que você desista de procurar.

Se há uma Fonte,
que ela se revele —
no tempo certo,
no gesto simples,
no silêncio onde tudo começa de novo.

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