✧ Capítulo 2 — Entre as Ruínas de Babel
✧ Capítulo 2 — Entre as Ruínas de Babel
Vozes da Graça — Arco I: Lições do Passado
🕊️ “O orgulho precede a destruição, e a altivez do espírito precede a queda.”
Provérbios 16:18
A tarde caía lentamente enquanto caminhávamos pelas ruínas de Babel, meu filho Selá e eu. O sol mergulhava no horizonte, lançando uma luz dourada que transformava as pedras antigas em uma tapeçaria de sombras e brilhos. A brisa, carregada com o aroma da terra aquecida, dançava entre as ruínas, trazendo consigo a sensação de uma história esquecida.
Meu filho estava ao meu lado, seus olhos brilhando com curiosidade. Mesmo sendo jovem, já demonstrava um profundo interesse pelas histórias de nossos antepassados, pelos mistérios do passado e pela sabedoria que esses antigos lugares guardavam.
— “Pai,” meu filho hesitou, olhando para as ruínas. — “Eles realmente achavam que podiam alcançar Deus?”
Sorrindo, pousando a mão em seu ombro, respondi:
— “Meu filho, os homens de Babel estavam tão consumidos pelo desejo de se engrandecer que esqueceram de onde vinha sua verdadeira força. Eles queriam ser livres, mas, ao tentarem se tornar superiores a Deus, tornaram-se escravos do próprio orgulho. Construíram uma torre na esperança de tocar os céus, mas, no fundo, estavam apenas cavando sua própria ruína. Nunca se esqueça: longe de Deus, a busca por reconhecimento se torna uma armadilha. E, como sempre tenho lhe ensinado, a verdadeira liberdade só existe quando abrimos nosso coração para Ele.”
Caminhamos entre os destroços. O vento levantava poeira, e ali, empilhados como testemunhas silenciosas, estavam os tijolos que um dia sustentaram Babel. Peguei um deles e passei os dedos sobre sua superfície áspera.
— “Sente isso?” — ergui o tijolo para que meu filho visse. — “Mãos humanas moldaram essa argila, uniram-na com betume. Construíram não para Deus, mas para si mesmos. E no fim, tudo ruiu.”
Não havia erro em construir, pois a criatividade e o trabalho são dons que Ele nos deu. O verdadeiro pecado não estava na torre, mas no coração daqueles que a ergueram. Eles não buscavam um lar, nem uma obra que glorificasse a Deus, mas sim um monumento à própria vaidade. Não queriam apenas alcançar os céus, queriam se tornar deuses.
Assim como no princípio, quando o homem estendeu a mão para aquilo que julgava ser maior do que já tinha recebido, aqui também tentaram construir algo que os elevasse além de sua própria condição. O pecado, meu filho, não é simplesmente a desobediência de uma regra, mas a ilusão de que poderiam encontrar plenitude longe de Deus.
Meu filho olhou para os tijolos, depois para mim, carregado de dúvida. Ele hesitou por um momento antes de perguntar:
— “Mas pai, por que Deus os confundiu e os dispersou? Não seria melhor deixá-los aprender com seus próprios erros?”
— “Deus sabia que, se continuassem naquele caminho, a humanidade se perderia ainda mais. Confundindo suas línguas e espalhando-os pela terra, Ele deu a eles uma nova chance, uma oportunidade de recomeçar e lembrar quem realmente estava no comando. Mas isso é apenas o início da história. Há muito mais sobre o que devemos conversar, e vou contar-lhe no momento certo.”
Deixei essa reflexão no ar, plantando a semente de uma curiosidade que eu sabia que cresceria durante a noite. Quando voltamos para o acampamento, a escuridão já havia tomado o céu, mas as estrelas brilhavam intensamente, como se velassem sobre nós.
📖 Arco I: O Chamado da Promessa
- Capítulo 1 — O Clamor da Terra
- Capítulo 2 — Entre as Ruínas de Babel
- Capítulo 3 — História da Arca
- Capítulo 4 — Promessa da Redenção
- Capítulo 5 — Dois Caminhos, Dois Destinos
- Capítulo 6 — Sombra e Esperança
Navegue pelos capítulos da série Vozes da Graça e acompanhe a jornada.
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