Pular para o conteúdo principal

Atrás do Altar

Atrás do Altar: o homem por trás das palavras


Entre o Altar e o Caminho: minha jornada

Eu não comecei escrevendo para ensinar ninguém.
Comecei escrevendo para não me perder de mim mesmo.

Este blog nasceu há muitos anos como uma experiência quase íntima. Um lugar onde eu organizava pensamentos, dúvidas, inquietações e pequenas descobertas que não cabiam em conversas rápidas nem em respostas prontas. Por muito tempo, não houve qualquer preocupação com engajamento, alcance ou relevância. Era só tempo, silêncio e escrita.

Com o passar dos anos, algo mudou.
Não o blog — eu.

A escrita deixou de ser apenas um refúgio e passou a carregar minha história, minhas quedas, minhas reconstruções. Hoje, este espaço tem a minha cara não porque eu planejei, mas porque não consegui fingir outra coisa.

Sou cristão.
Sou pesquisador.
Sou professor de Escola Bíblica Dominical há muitos anos.
Sou pai de dois filhos.
Sou membro de uma igreja local — com tudo o que isso carrega de beleza e tensão.

E, acima de tudo, sou humano.

Tive momentos de fé firme e períodos de silêncio profundo. Já acreditei que conhecimento bastava. Já confundi convicção com orgulho. Já caminhei seguro… e já tropecei feio. Não tenho medo de errar — tenho medo de parar. Por isso continuo caminhando.

Durante minha formação acadêmica, fui confrontado por ideias, teorias e visões de mundo que desafiaram minha fé de maneiras que eu não estava preparado para enfrentar. Não foi uma crise súbita. Foi lenta. Sutil. Como quase tudo que realmente nos transforma — ou nos quebra.

Aprendi que ninguém se perde de um dia para o outro.
A gente se perde aos poucos, justificando pequenas concessões, acumulando “coisas que não fazem mal”, até que a alma fique cheia demais para ouvir a própria consciência.

Mas também aprendi algo ainda mais profundo: regeneração é possível.
Não como discurso. Não como fórmula.
Mas como milagre.

Escrevo porque preciso lembrar disso. E porque talvez alguém, em algum ponto da jornada, também precise.

Escrevo porque preciso lembrar disso.
E porque talvez alguém, em algum ponto da jornada, também precise.

Alguns textos pediram mais fôlego do que um post. Acabaram se tornando livros — não planejados, não estratégicos, mas necessários.

O Preço de uma Mordida foi o primeiro. Nasceu como extensão do blog, num tempo de inquietação e confronto interior.

Depois veio Água no Ponto. A história de um professor de Escola Bíblica Dominical vivendo em meio a uma igreja mais preocupada com movimentos do que com ensino. Um manifesto. Um incômodo. Uma carta à igreja de Laodiceia — e também a mim mesmo.

O mais recente, De Cabeça para Baixo, nasceu em silêncio. É uma jornada confessional escrita a partir da perspectiva de Pedro em seu último dia de vida, revisitando sua caminhada com Cristo. Talvez seja o texto mais honesto que já escrevi.

Além do blog, mantenho um canal no YouTube com meditações — não para preencher ruído, mas para oferecer pausas. Pequenos respiros para quem ainda acredita que Deus fala também no silêncio.

Se você chegou até aqui, saiba de algo importante:
não escrevo como quem chegou, mas como quem continua indo.

Este espaço não é sobre respostas prontas.
É sobre caminhar com perguntas sinceras.
Sobre fé que sangra, mas não desiste.
Sobre tentar de novo, mesmo com medo.

Se quiser seguir, será bem-vindo.
Não prometo atalhos.
Mas prometo honestidade.

Del Lobato

Sobre o Autor Del Lobato é professor, pesquisador e autor dos livros  Água no Ponto , O Preço de uma Mordida e do recém-lançado De Cabeça para Baixo. Através de suas obras, busca explorar a intersecção entre a fé sincera e os desafios da vida acadêmica e humana. 



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dinâmica: "Versículo Embaralhado"

 🎯 Dinâmica: "Versículo Embaralhado"  Desafie sua Memória! 📖🧩 🎯 Objetivo: Ajudar os adolescentes a memorizar versículos bíblicos de forma interativa e divertida, incentivando o trabalho em equipe. 📌 Como Funciona: 1️⃣ Preparação: Escolha um ou mais versículos bíblicos e escreva cada palavra separadamente em pedaços de papel. Se quiser dificultar, use versículos mais longos ou palavras misturadas de diferentes versículos. 2️⃣ Execução: Divida os adolescentes em equipes. Cada equipe recebe um conjunto de palavras embaralhadas. O objetivo é organizar as palavras na ordem correta para formar o versículo. Ganha a equipe que montar o versículo corretamente primeiro. 💡 Aplicação Espiritual: Depois da montagem, peça que cada grupo leia o versículo em voz alta e reflita sobre seu significado. Pergunte: "Como podemos aplicar essa palavra no nosso dia a dia?" Incentive os adolescentes a decorar o versículo e compartilhá-lo durante a semana. 📝 Dica Extra: Para um desafi...

64 d.C. – Perseguição do Imperador Nero contra os cristãos em Roma

A Perseguição de Nero contra os Cristãos (64 d.C.)  A Morte de Pedro e Paulo 1. Igreja Primitiva e Perseguições (33–313 d.C.)      O ano de 64 d.C. marcou um dos episódios mais sombrios da história do cristianismo primitivo: a perseguição aos cristãos promovida pelo imperador Nero. Esse evento não apenas fortaleceu a identidade dos seguidores de Cristo como mártires da fé, mas também teve um impacto profundo na relação entre o cristianismo e o Império Romano. Entre os que teriam sido mortos nessa perseguição estão os apóstolos Pedro e Paulo, dois dos mais importantes líderes da Igreja primitiva. O Grande Incêndio de Roma e a Culpa sobre os Cristãos      Na noite de 18 para 19 de julho de 64 d.C., um incêndio devastador tomou conta de Roma. O fogo durou seis dias e sete noites, destruindo grande parte da cidade. Fontes históricas, como o historiador Tácito, sugerem que muitos acreditavam que o próprio imperador Nero teria ordenado o incêndio para abrir ...

Entre a Fuga e a Fonte

Entre a Fuga e a Fonte Há dias em que a alma se veste de força, mas por dentro só quer desabar. Sorrisos viram escudos. Silêncios viram muralhas. E o coração aprende a correr — não para chegar, mas para não sentir. O vazio se disfarça de metas. A dor se esconde atrás da produtividade. E o barulho do mundo abafa a única voz que ainda sussurra por dentro. A gente coleciona conquistas, mas não se reconhece no espelho. Chora por dentro… porque parece errado admitir que dói. Há quem tente merecer amor. Há quem fuja até de si. E, quando a pressa cansa, o silêncio pesa. O tempo passa, mas o peito continua cheio de pedras. E os sonhos — agora em pedaços — parecem ter afundado em algum lugar do peito. Nessa hora, surge um suspiro: fraco, mas teimoso. Sede — não da boca, mas da alma. “Só um gole”, pensa o coração. “Um lugar para respirar. Um olhar que me veja.” Talvez você esteja aí: no entre lugar entre a fuga e a Fonte. Não buscando respostas… mas presença. Mão...