O Processo do Toque de Deus

 Enraizados na Fé e Esperando pela Plenitude da Visão Divina


    
Quantos de nós já nos sentimos como aquele homem cego de Betsaida, esperando por um milagre que parece demorar para acontecer? Vivemos acreditando que algo extraordinário irá transformar nossa realidade, mas o tempo passa e nossa visão permanece embaçada, e as respostas parecem cada vez mais distantes. No entanto, Jesus afirmou sobre Sua própria missão: "O Espírito do Senhor está sobre mim... Ele me enviou para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos" (Lucas 4:18). Cristo veio para abrir nossos olhos, tanto espiritualmente quanto fisicamente, para nos libertar, mas Ele age de maneira única com cada um de nós.

    A Bíblia conta que aquele homem não era residente de Betsaida, mas estava lá, dia após dia, mendigando, tentando sobreviver, esperando uma transformação que só Jesus poderia dar. Então, finalmente, Jesus chega a Betsaida, e amigos levam o cego até Ele. Jesus o toca e o leva para fora da cidade, para longe do barulho, das vozes de descrença, dos olhares de julgamento, criando um momento de intimidade. Jesus quer que a cura comece em um espaço isolado, onde Sua presença é tudo o que importa. Como diz em Jeremias 33:3, “Clame a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece.”

    Após o primeiro toque, o homem começa a ver, mas sua visão ainda está incompleta. Ele diz a Jesus: “Vejo os homens como árvores que andam” (Marcos 8:24). Esta visão borrada, onde as pessoas se parecem com árvores, pode representar momentos em nossas vidas onde estamos no processo de transformação, mas ainda não alcançamos a clareza completa. Ver "homens como árvores" pode ser uma metáfora poderosa: árvores têm raízes profundas, crescem lentamente e precisam estar bem firmes para resistir ao vento e às tempestades. Elas são fortes, mas não podem se mover sozinhas. Assim como árvores, precisamos de raízes espirituais profundas e estabilidade, mas também dependemos de Deus para nos mover, nos guiar e nos levar onde Ele deseja.

    Como o homem de Betsaida, às vezes enxergamos as coisas de forma limitada e vemos apenas as sombras do que Deus planeja. Deus tem algo melhor preparado para nós, mas esse processo pode nos ensinar a permanecer firmes, enraizados na fé. Como Paulo escreveu, devemos estar “arraigados e edificados em amor” (Efésios 3:17), crescendo na presença de Deus até que possamos ver claramente.

    Por fim, Jesus toca o homem uma segunda vez, e sua visão é restaurada por completo. Esse segundo toque representa a perfeição do milagre, a finalização do processo divino. Como Filipenses 1:6 nos lembra: “Aquele que começou boa obra em vocês, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus.” O processo de cura nem sempre é instantâneo; Deus trabalha em nós de maneira gradual, nos transformando, corrigindo nossa visão e nos preparando para aquilo que Ele tem para nós.

    Depois que sua visão é restaurada, Jesus instrui o homem a não voltar para Betsaida. Talvez Betsaida fosse um lugar onde ele era conhecido como o cego, onde as pessoas o viam como alguém dependente e limitado. Era um ambiente de descrença e comodismo, de onde Jesus já havia repreendido a falta de fé (Mateus 11:21). Quando Deus realiza o milagre, Ele não quer apenas mudar nossa situação; Ele quer nos levar para novos lugares, nos fazer crescer para além dos rótulos e das limitações passadas, nos fortalecer com raízes profundas e visão clara para uma vida em novidade (Romanos 6:4).

    Se você tem esperado por um milagre, saiba que Deus conhece sua jornada e os seus momentos de dúvida. Talvez você esteja vendo o mundo de forma embaçada, mas não desanime. O processo não significa ausência de Deus – significa que Ele está trabalhando em detalhes que só Ele conhece. Como Isaías 55:8-9 nos ensina: “Porque os meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem os seus caminhos são os meus caminhos... assim são os meus caminhos mais altos do que os seus caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os seus pensamentos.”

    Assim, como aquele homem, somos convidados a buscar um relacionamento mais profundo com Deus, que transforma nossa visão e nos dá raízes espirituais que vão além do que o mundo vê. E quando o Senhor nos tocar novamente, veremos com clareza e com o propósito renovado, prontos para viver em novidade de vida, guiados pela visão que Ele tem para cada um de nós.

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